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Panorama dos Mercados - Resumo de Julho de 2026

Brasil: Em julho, os dados de atividade e inflação vieram, em geral, mais fracos, reforçando a leitura de desaceleração gradual da economia. O IPCA e o IPCA-15 surpreenderam para baixo, com composição de melhor qualidade, refletindo o recuo dos núcleos de serviços e industriais. O mercado de trabalho seguiu majoritariamente estável. Diante desse quadro, o consenso das gestoras é de que o Banco Central deve dar prosseguimento ao ciclo de flexibilização monetária, com corte adicional de 0,25 p.p. na reunião de agosto, podendo repetir o movimento em setembro. O Ibovespa subiu 3,47% no mês, impulsionado pelos setores financeiro e de petróleo, e o real se valorizou frente ao dólar. As convenções partidárias confirmaram as candidaturas à Presidência; as pesquisas indicam disputa equilibrada, com leve vantagem de Lula, mas as gestoras veem potencial de crescimento ainda inexplorado na candidatura de Flávio Bolsonaro.

Estados Unidos: O banco central americano manteve a taxa de juros inalterada, com três de seus membros votando por uma alta. A comunicação do novo presidente da instituição, Kevin Warsh, voltou a ser vista como pouco clara quanto aos próximos passos da política monetária, o que abriu as curvas de juros longas para a máxima desde 2007 e enfraqueceu o dólar frente às principais moedas. O PIB do segundo trimestre cresceu a um ritmo anualizado de 3,0%, sustentado pelo consumo das famílias e pelos investimentos em inteligência artificial, e a inflação trouxe algum alívio. Ainda assim, as ações ligadas a data centers e semicondutores tiveram forte correção — o principal fundo do setor caiu cerca de 21% no mês —, com o mercado exigindo mais retorno sobre os investimentos em inteligência artificial, penalizando Alphabet e Tesla e favorecendo Microsoft e Amazon.

Europa: Na Zona do Euro, a atividade seguiu resiliente, com o PIB do segundo trimestre e os indicadores de confiança empresarial surpreendendo positivamente. A inflação, descontados itens mais voláteis, permaneceu acima da meta, em torno de 2,5%, levando o Banco Central Europeu a manter a taxa básica em 2,25%, com possível nova alta em setembro. No Reino Unido e no Canadá, os bancos centrais também mantiveram os juros estáveis, dentro do esperado, em ambientes com maior folga na economia para absorver eventuais choques de oferta.

China: Os indicadores do segundo trimestre vieram abaixo do esperado, com a demanda doméstica ainda contida, apesar do comércio exterior seguir como ponto de apoio. Diante desse cenário mais fraco, o governo chinês não anunciou novos estímulos relevantes, sinalizando apenas aceleração gradual dos gastos públicos já previstos no orçamento, o que sugere suporte gradual à atividade nos próximos meses. No Japão, o Banco Central manteve os juros, mas adotou discurso mais rígido quanto ao combate à inflação, reforçando a perspectiva de continuidade do ciclo de alta; o movimento coincidiu com uma intervenção conjunta com os Estados Unidos no câmbio, para conter a forte desvalorização do iene.

Considerações Finais: Julho foi marcado pelo rompimento do acordo entre Estados Unidos e Irã firmado em junho, com retomada dos ataques entre os dois países e restrição ao fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz — importante rota de exportação de petróleo do Oriente Médio. O petróleo chegou a romper US$ 100 o barril, recuando para cerca de US$ 85 ao final do mês. Apesar da escalada geopolítica, a inflação global seguiu surpreendendo para baixo tanto nos Estados Unidos quanto em outras economias relevantes. Some-se a isso a correção nas ações de inteligência artificial e a comunicação pouco clara do novo Federal Reserve, fatores que elevaram a volatilidade nos mercados ao longo do mês. No Brasil, os dados mais fracos de atividade e inflação reforçam a expectativa de continuidade dos cortes de juros, enquanto o calendário eleitoral de outubro deve ganhar peso crescente na precificação dos ativos domésticos.

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